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Beyond the Transaction: Every Transaction Has a Story
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Crise financeira: atitudes que fazem a diferença

178554678Crise financeira mundial. Não há como não tocar no assunto, especialmente se nos colocamos diante de você, caro leitor, com a missão de tratar do consumo consciente e da valorização da educação financeira como instrumento de independência financeira. A diminuição da atividade econômica e da demanda trouxe, para dizer o mínimo, desalento e preocupação para diversas famílias – especialmente aquelas que viveram e vivem o problema das demissões e do desemprego.

O perigo que a crise representa
Em poucas palavras, a crise retrata um momento de retração econômica global, desta vez decorrente do competitivo, porém frouxo sistema financeiro norte-americano – que permitiu que complexos produtos de investimento fossem comercializados e ressegurados a partir de hipotecas de risco. E os grandes responsáveis por isso agora estão deixando as empresas partindo para carreira solo.

A lógica sobre sua influência direta na economia de outros países nem sempre fica clara para a maioria de nossos leitores, portanto permita-me apenas uma rápida explicação: os países desenvolvidos foram diretamente afetados porque investiam nos produtos agora sem lastro, chamados carinhosamente de “ativos tóxicos” ou “títulos podres”. Logo, levaram prejuízo por não conseguir resgatar o dinheiro aplicado.

Nós, dos países em desenvolvimento, somos um local onde muito capital estrangeiro costuma aparecer, especialmente por conta dos altos juros e dos atraentes e lucrativos negócios na bolsa de valores. Com a crise, muito dinheiro aqui aplicado voltou para seu pais de origem; além disso, vimos nossa moeda se desvalorizar e as exportações caírem, já que os países clientes do Brasil começaram a rever suas prioridades. Trata-se, literalmente, de um efeito dominó.

A dúvida do leitor
Não cabe aqui uma análise profunda dos “porquês” ou do “como” da crise, mas seus reflexos no dia-a-dia de nossas vidas, especialmente no que tange ao aspecto das finanças pessoais. Não raro, recebo mensagens de leitores com a seguinte questão: “Como consumidor, devo mudar a forma de viver minha vida em momentos de crise?”.

Minhas respostas para perguntas como esta são sempre clássicas e diretas: coerência! A palavra de ordem é coerência. Uma rápida pesquisa no dicionário Michaelis on-line traz uma interessante definição para esta palavra: “Ligação, harmonia, conexão ou nexo entre os fatos, ou as ideias”. Já percebeu como a coerência pode ser sua melhor aliada antes, durante e depois de qualquer crise ou problema? Explico.

Ligação. A primeira palavra da definição do dicionário nos remete à necessidade de manter embasadas nossas decisões. Toda escolha deve ser relacionada a um fato, de maneira que a racionalidade tome o lugar da emoção nas finanças pessoais e nos hábitos de consumo. Comprar por comprar, fazer por fazer só trarão arrependimentos posteriores.

Harmonia. Esta palavra me lembra paz, tranquilidade. Com o dinheiro, isso significa viver dentro da verdadeira realidade financeira da família, sem exageros ou tentativas de ser o outro, esbanjar um padrão de vida incompatível. Como é possível viver em paz com o dinheiro? Planejamento financeiro, controle de gastos e definição de objetivos podem ajudá-lo a começar.

Nexo entre os fatos. Isso significa saber o que está fazendo. Representa a harmonia sustentada quando você trata da ligação entre suas decisões. É a resposta dos preparados para os intensos momentos da vida – as escolhas são realizadas com consciência das conseqüências, o que para o aspecto financeiro é crucial.

O que levar em conta quando o assunto é crise
Toda e qualquer família deve prestar atenção ao que acontece no seu dia-a-dia financeiro – e isso implica também se interessar por um pouco de economia básica e finanças além do “mais e menos” do cotidiano. Como já mencionei, informar-se traz a importante sensação de controle e os subsídios necessários para avaliar se o atual padrão de vida do lar é sustentável. Desta forma, destaco algumas importantes atitudes, que valem perfeitamente para todos os momentos (com ou sem crise):

  1. Crie e sustente uma reserva de emergência. A grande preocupação das pessoas em momentos de crise é justamente não ser capaz de se sustentar caso perca o emprego ou tenha que buscar uma recolocação. Com razão. Assim, sempre sugiro que as pessoas tenham uma reserva financeira capaz de mantê-la por pelo menos 12 meses sem trabalho, de forma que a família seja preservada e que um novo trabalho possa ser encontrado sem desespero;
  2. Consumir, só se for à vista e com os cálculos domésticos na ponta do lápis. Com ou sem crise, você vai querer comprar um ou outro presente. Compre, desde que o dinheiro para isso tenha sido poupado através de um planejamento financeiro eficiente. Traduzindo: mantenha um rígido controle dos gastos, apontando tudo em categorias e só compre se existir dinheiro disponível. Evite ao máximo se endividar quando as previsões sobre seu futuro financeiro não são claras.
  3. Pesquise preços, mude de marcas ou deixe de comprar. Se as notícias não são favoráveis, trate de economizar. Experimente novas marcas de produtos, mais baratas, faça uma pesquisa mais intensa de preços e, às vezes, deixe de comprar este ou aquele produto não tão necessário. Trate seu dinheiro com respeito e muito cuidado.
  4. Conheça os detalhes mais específicos da economia. Crises trazem consigo necessidade de mudanças por parte dos governos. Em algumas ocasiões, mudam-se as taxas de juros, os cálculos financeiros das taxas básicas da economia e até mesmo a tributação. Isso significa, por exemplo, que com a desaceleração ocorrida no final de 2008, o governo decidiu reduzir o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a compra de automóveis, o que mudou, para baixo, os preços do carro zero. Aquele cidadão organizado, que poupou, mês a mês, com o objetivo de comprar um carro, agora pode realizar seu sonho em melhores condições.
  5. O mesmo vale para as aplicações financeiras, que são, muitas vezes, totalmente dependentes da taxa básica de juros da economia, a conhecida Taxa Selic. Como a mudança da Selic influenciará seu dinheiro investido? A pergunta é importante e exige que você se dedique a encontrar subsídios para respondê-la. Assim como hábitos de vida diferentes podem trazer mudanças para seu lado pessoal, o interesse pelos fatores que retratam a vida financeira tende a aumentar sua capacidade de multiplicar seu patrimônio.
  6. Para encerrar, quero alertá-lo para uma importante constatação: crises econômicas em países e sistemas financeiros, como a que vivemos agora, acontecem em ciclos – elas vem e vão. No entanto, o mesmo não se pode dizer das crises financeiras pessoais. Salve em raras exceções, problemas financeiros em casa são normalmente fruto da péssima administração e planejamento dedicados ao dinheiro e o conseqüente consumo além da conta. Que haja mais coerência (lembra desta palavrinha?).

Até a próxima.