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Cinco países lideram a região, tanto no estágio quanto na taxa de progresso digital: Chile,  Colômbia, Costa Rica, México e Uruguai. Estes países saíram-se bem ao melhorar a estabilidade institucional e a previsibilidade, como políticas competitivas e um ambiente institucional justo. Também são bons na promoção do crescimento ao atrair investimentos em inovação digital.

Logo atrás deles estão os países de momentum médio, que têm forte demanda do consumidor, mas são prejudicados pela falta de investimentos adequados em infraestrutura e entusiasmo institucional para acelerar sua evolução digital. Argentina, Panamá e Peru estão nesta fase. O Brasil está perdendo força devido à deterioração do ambiente institucional. Os piores desempenhos são El Salvador e Venezuela.

Os líderes na região compartilham três atributos em comum: o primeiro é uma alta taxa de adoção digital; e o segundo é sua estabilidade e qualidade institucional – uma condição necessária para atrair investimentos para o ecossistema digital. Em terceiro lugar, o crescimento da infraestrutura TICs tem sido forte.

Os cinco países estão evoluindo suficientemente rápido para sugerir que têm potencial para se transformar em fortes economias digitais. Mas, ao contrário da demanda, que pode crescer rapidamente e de repente, tempo e trabalho árduo dos setores público e privado são necessários para melhorar a força do governo e das instituições. Estes países fariam bem em comparar-se com a Estônia, um pioneiro de um governo sem fronteiras, seguro e virtual.

 

O México está tomando as atitudes corretas. Em 2014, lançou um projeto de governo eletrônico. Vinculou digitalmente serviços e informações do governo, assim como o processo de participação do cidadão em uma única plataforma. Em gob.mx, as pessoas podem baixar formulários, fazer agendamentos, enviar aplicações e realizar pagamentos on-line. Obter algo tão simples como uma certidão de nascimento, antes um processo longo, pouco confiável e propenso a erros, foi simplificado para que os recém-nascidos possam ser registrados em minutos e sem erros ao entrar em um único website, tudo sem, como o governo diz, “desperdiçar o seu tempo”.[1]

 

Graças ao projeto, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) agora classifica o México “entre os melhores serviços on-line no mundo”.[2] McKinsey & Co., uma firma de consultoria de gestão, diz que a plataforma fez a digitalização do México “louvável” em comparação com outros países com PIBs per capita similares, apesar de ainda estar atrasado em relação aos confiáveis governos eletrônicos da Estônia e da Malásia.[3]

 

O Uruguai é outro exemplo extraordinário. Em 2017, o governo lançou a Agenda Digital Uruguai 2020 para abordar os desafios atuais e os que possam surgir. Isto, de acordo com o governo uruguaio, não se limita a implantar “ferramentas de infraestrutura e tecnológicas para melhorar e apoiar processos tradicionais”, mas sim ampliar “a capacidade de inovação que desencadeia a transformação de processos, sem desconsiderar soluções para necessidades pendentes no acesso e no uso das tecnologias digitais”.[4]

 

Como parte da agenda digital, o governo distribui computadores portáteis para escolas e treina professores para usá-los nas salas de aula. Criou áreas wi-fi gratuitas nas cidades e um plano de acesso universal à internet, além de distribuir computadores para famílias. O Uruguai teve a primeira cobertura de rede móvel completa na região e foi o primeiro a fixar uma rede 4G LTE. De acordo com as Nações Unidas, o Uruguai ocupa o 26º lugar globalmente por seu índice de governo eletrônico, o mais alto da América Latina e do Caribe.[5]

 

Estas iniciativas institucionais de inovação do México e do Uruguai conquistaram a entrada destes países no hoje chamado Digital Nine, um grupo de elite de governos digitais avançados, que inclui Estônia, Nova Zelândia, Israel, Canadá, Coréia do Sul e Reino Unido. Esses países estão colaborando para tornar seus setores públicos os mais eficientes possíveis, utilizando as melhores tecnologias digitais disponíveis.

 

[1] Mexico’s Office of th Presidency: https://www.gob.mx/en/what-is-gobmx

[2] OECD: http://www.oecd.org/fr/gov/gouvernement-numerique/oecde-governmentstudiesmexico.htm

[3] McKinsey Insights: https://www.mckinsey.com/business-functions/digital-mckinsey/our-insights/how-mexico-can-become-latin-americas-digital-government-powerhouse

[4] Uruguayan Presidency: https://uruguaydigital.gub.uy/wps/wcm/connect/urudigital/44f1500c-6415-4e21-aa33-1e5210527d94/Download+Digital+Agenda+%28English+Version%29.pdf?MOD=AJPERES&CONVERT_TO=url&CACHEID=44f1500c-6415-4e21-aa33-1e5210527d94

[5] United Nations: https://publicadministration.un.org/egovkb#.W1DX_tJKiUk